Última atualização em 20 de agosto de 2025 às 10h04 por Erwin Noguera
A nova temporada da Série A começa em 23 de agosto, marcando a 124ª edição da principal competição italiana e inaugurando uma temporada que promete tanto continuidade quanto mudanças.
A temporada 2024/25 da Série A ficará para sempre gravada na história do Napoli, pois Antonio Conte orquestrou uma das vitórias mais notáveis da história recente do futebol italiano. Quando Conte retornou à Série A para assumir o comando do Partenopei, poucos previram que ele destronaria imediatamente seu antigo clube, a Inter de Milão, mas foi exatamente isso que aconteceu de forma impressionante.
O retorno de Conte ao futebol italiano foi magistral. Após passagens por Chelsea, Inter de Milão e Tottenham, o gênio tático trouxe sua intensidade característica, estrutura defensiva disciplinada e brilhantismo nos contra-ataques para o Estádio Diego Armando Maradona.
A própria composição da liga traz um novo interesse. O Sassuolo retornou após uma breve ausência, o Cremonese volta à elite e o Pisa retorna à Série A pela primeira vez em 34 anos, trazendo nova energia e um toque regional à competição.
Rebaixamento e promoção: a Série A aleatória
A luta contra o rebaixamento provou ser tão dramática quanto a disputa pelo título da temporada passada, com Empoli, Venezia e Monza perdendo seus lugares na elite do futebol italiano.
O rebaixamento do Empoli não foi nenhuma surpresa para os observadores da Série A. Apesar de um início promissor sob o comando de Paolo Zanetti, seus problemas crônicos em marcar gols, com apenas 29 gols em toda a temporada, acabaram se provando fatais. A dependência excessiva do veterano Francesco Caputo acabou se revelando um erro quando o desempenho do atacante caiu nos meses finais decisivos.
O retorno do Venezia à Série A durou apenas uma temporada. O time veneziano teve dificuldades para se adaptar ao nível de qualidade superior, apesar da engenhosidade tática de Paolo Vanoli. O pitoresco Estádio Penzo continuou sendo um lugar difícil para os visitantes, mas o desempenho desastroso fora de casa (conquistando apenas 8 pontos como visitante) selou seu destino.
Talvez o rebaixamento mais surpreendente tenha sido o do Monza. Depois de duas temporadas respeitáveis no meio da tabela, após a promoção histórica, a aposta do Monza em um técnico inexperiente após a saída de Palladino se mostrou um fracasso espetacular. Nem mesmo o retorno do experiente técnico Cristian Brocchi no meio da temporada conseguiu evitar o rebaixamento.
Vindo da Série B, temos três clubes com perfis muito diferentes. O Cremonese retorna à Série A após apenas uma temporada de ausência, com a disciplina tática de Giovanni Stroppa e os gols de Massimo Coda lançando as bases para sua recuperação imediata.
A promoção do Pisa marca seu primeiro retorno à Série A em 33 anos. Sob o comando de Alberto Aquilani, ex-meio-campista da Roma e do Liverpool que se tornou um treinador promissor, o Pisa apresentou um dos futebol mais atraentes da Série B, centrado em uma filosofia de posse de bola raramente vista na segunda divisão italiana.
O retorno do Sassuolo à Série A completa o trio de equipes promovidas. Após o rebaixamento chocante em 2024, o Sassuolo se reergueu de forma impressionante. Mantendo seu compromisso com o futebol ofensivo e o desenvolvimento de jovens mesmo na Série B, o clube garantiu o acesso direto com três rodadas de antecedência.
Favoritos da temporada 2025/26 da Série A: TOP 5
Fiorentina
A classificação da Fiorentina para a Liga Conferência da UEFA na temporada passada mascarou o que acabou sendo uma campanha decepcionante sob o comando de Raffaele Palladino. O ex-técnico do Monza nunca se adaptou a Florença, o que levou à sua saída e abriu caminho para o retorno de um rosto familiar ao Artemio Franchi.
O retorno de Stefano Pioli à Série A acontece após uma temporada curta e, francamente, esquecível no Al-Nassr, da Arábia Saudita. Apesar das dificuldades no Oriente Médio, Pioli traz algo inestimável para a Viola: um profundo conhecimento tanto do futebol italiano quanto da cultura singular da Fiorentina.
Roma
A contratação de Gian Piero Gasperini pela Roma representa uma das movimentações mais intrigantes no comando técnico da Série A nesta temporada. Após transformar a Atalanta, de um time mediano na tabela, em uma presença constante na disputa por vagas na Liga dos Campeões durante sua notável passagem por Bergamo, Gasperini agora traz sua abordagem tática revolucionária para a Cidade Eterna.
O técnico de 67 anos é conhecido por sua formação peculiar, o 3-4-3, que se transforma facilmente em um 3-4-1-2 dependendo do adversário. Seu sistema de alta pressão e marcação individual exige um preparo físico excepcional e disciplina tática rigorosa de seus jogadores. Essa abordagem fez da Atalanta uma das equipes mais empolgantes da Europa, superando regularmente times com orçamentos significativamente maiores.
Inter
Os ventos da mudança sopram na metade azul e preta de Milão. Após várias temporadas de sucesso com Simone Inzaghi, a Inter se encontra numa encruzilhada com a contratação de Cristian Chivu como treinador. Esta é talvez a aposta mais ousada em termos de treinador na Série A nesta temporada.
A trajetória de Chivu como treinador se deu exclusivamente nas categorias de base da Inter, onde levou o time Primavera ao sucesso. Sua abordagem tática com as equipes juvenis demonstra uma preferência por um futebol fluido e ofensivo, sem abrir mão da solidez defensiva que ele personificava como jogador. No entanto, o salto do futebol juvenil para o comando da equipe principal de um clube com as expectativas da Inter é monumental.
Juventus
A Juventus encontra-se em território desconhecido, atravessando o seu maior jejum de títulos do século XXI. A apaixonada torcida da Velha Senhora fica cada vez mais inquieta a cada temporada que passa sem o troféu mais cobiçado da Itália. Apesar de ter terminado a última temporada em posição de se classificar para a Liga dos Campeões, a distância entre o clube e o topo da tabela permanece significativa.
A chegada de Igor Tudor trouxe estabilidade, mas não o domínio que a Juventus tradicionalmente espera. Sua abordagem tática, um sistema híbrido 3-4-2-1 que se transforma conforme a posse de bola, mostrou lampejos de grande futebol, mas carece de consistência contra adversários de alto nível.
Napoli
Já se passaram seis longos anos desde um Serie A O campeão defendeu com sucesso o seu título, mas o Napoli de Antonio Conte parece pronto para acabar com esse jejum de forma espetacular. O triunfo do Partenopei na temporada passada não foi apenas um momento passageiro de glória; lançou as bases para o que poderá se tornar uma nova dinastia no futebol italiano.
O currículo de Conte como campeão é inegável. Com cinco Scudetti no currículo como jogador e treinador, o gênio tático provou repetidamente que sabe exatamente o que é preciso para chegar ao topo do futebol italiano e, mais importante, como se manter lá.
Mercado de transferências
A contratação de Kevin De Bruyne pelo Napoli se destaca como a maior revelação do verão. O maestro belga, que finalmente deixou o Manchester City após uma temporada lendária, traz sua visão de jogo incomparável e sua capacidade de passe excepcional para o já formidável time de Conte.
A Juventus respondeu com duas contratações. O atacante canadense Jonathan David chega após anos de prolíficos gols na Ligue 1, enquanto o meio-campista português João Mário adiciona criatividade e experiência ao meio-campo de Tudor.
A revolução da Roma sob o comando de Gasperini inclui o promissor meio-campista marroquino Neil El Aynaoui e o atacante irlandês Evan Ferguson, que chega após se consolidar como um dos jovens atacantes mais empolgantes da Premier League no Brighton.
No que diz respeito às saídas, a Inter de Milão perdeu seu arquiteto tático, Simone Inzaghi, enquanto vários veteranos, incluindo Alexis Sánchez, deixaram o clube. O Milan promoveu uma reformulação significativa após a campanha decepcionante, com a saída de diversos jogadores de alto salário para facilitar a reconstrução do elenco.