Como a Copa do Mundo do México pode impactar o futuro da seleção nacional

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Última atualização em 23 de julho de 2026 às 14h26 por Erwin Noguera

O México foi eliminado da Copa do Mundo de 2026 nas oitavas de final. A equipe ficou invicta por quatro jogos, quebrou um jejum de 40 anos sem participar de mata-mata, marcou dez gols e, mesmo assim, perdeu para a Inglaterra em casa. Foi o melhor e mais doloroso torneio que El Tri disputou em uma geração, e as questões que ele deixa para trás moldarão os próximos quatro anos do futebol mexicano.

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O que o México fez certo

Javier Aguirre montou uma equipe difícil de ser batida e perigosa nos contra-ataques. O México venceu o Grupo A sem sofrer um único gol, com três vitórias sobre África do Sul, Coreia do Sul e República Tcheca. Futebol limpo e profissional em casa.

Mais tarde veio o jogo contra o Equador. O México venceu por 2 a 0. Julián Quiñones marcou aos 22 minutos e Raúl Jiménez ampliou o placar nove minutos depois. Foi uma partida controlada e decisiva. Mais importante ainda, encerrou um jejum de 40 anos sem vitórias em uma fase eliminatória da Copa do Mundo. O México não vencia uma partida eliminatória desde que sediou o torneio em 1986. Esse jejum acabou.

Dez gols em cinco jogos. Um saldo de gols de +7. Um 9º lugar entre 48 seleções. Essas são conquistas reais. O grupo não era dos mais difíceis, mas o México não tropeçou. Venceu todas as partidas que se esperava que vencesse e defendeu seu território com disciplina.

O colapso da Inglaterra

As oitavas de final contra a Inglaterra foram uma história bem diferente. Jude Bellingham marcou duas vezes em um intervalo de dois minutos, aos 36 e 38 minutos, e o México já perdia por 2 a 0 antes mesmo que a melhor atmosfera do torneio pudesse reagir. Quiñones diminuiu o placar pouco antes do intervalo. A Inglaterra ficou com dez jogadores no segundo tempo. Kane converteu um pênalti, fazendo 3 a 1. Jiménez descontou de pênalti. O placar final foi 3 a 2 para a Inglaterra.

O México pressionou a Inglaterra com um jogador a mais e não conseguiu o gol de empate. É o tipo de resultado que dói justamente por ser possível. Gilberto Mora, de 17 anos, o jogador mais jovem a representar o México em uma Copa do Mundo, teve a bola roubada por Elliot Anderson na jogada que resultou no terceiro gol da Inglaterra. Um adolescente. Num momento decisivo. Isso diz muito sobre a profundidade do elenco e também sobre a base que o México precisa desenvolver para o futuro.

Quiñones é o rosto do próximo ciclo da Copa do Mundo

Julián Quiñones terminou o torneio como artilheiro do México com quatro gols. Ele foi o jogador de ataque mais completo que o El Tri teve em campo em todas as partidas em que foi titular. Ele tem 26 anos. Nascido na Colômbia, optou por representar o México por meio da naturalização. Agora, ele é inegavelmente o jogador mais importante da equipe.

A pergunta que a federação precisa responder é simples: construir o time em torno dele. Quiñones precisa ser o primeiro nome na escalação pelos próximos quatro anos. Ele tem velocidade, técnica e a capacidade de marcar em momentos decisivos. A torcida do Azteca viu isso. O mundo viu isso.

Jiménez deixa um legado — e uma lacuna.

Raúl Jiménez marcou três gols neste torneio aos 35 anos. Ele foi decisivo quando exigido, e sua parceria com Quiñones deu ao México um ataque que causou muitos problemas. Mas seu tempo como jogador da seleção já passou. Ele não será uma figura central na Copa do Mundo de 2030.

O México precisa de um atacante. Não de uma opção para rotação ou de uma promessa, mas de um atacante pronto para vestir a camisa número nove no próximo ciclo de eliminatórias. Essa busca começa agora.

Mora e a próxima geração

Gilberto Mora se tornou o sexto jogador mais jovem a disputar uma Copa do Mundo. Ele cometeu um erro que contribuiu para um gol. Isso faz parte de ser um jogador de 17 anos em um jogo eliminatório de Copa do Mundo. O que importa é que ele estava lá, que já faz parte do sistema e que seu potencial é significativo.

Mora marcou três gols e deu duas assistências na Copa do Mundo Sub-20 de 2025. Ele tem sete gols pelo time principal do Tijuana na Liga MX, em uma idade em que a maioria dos jogadores ainda está conquistando seus primeiros minutos como profissionais. O México agora tem um jovem talento genuíno para desenvolver e proteger no próximo ciclo.

A maldição do quinto jogo persiste na Copa do Mundo — de uma forma diferente.

O México venceu todos os quatro jogos deste torneio antes de perder na quinta partida. O número de jogos é o mesmo. A fase, porém, é diferente. Na antiga Copa do Mundo com 32 seleções, perder nas oitavas de final significava eliminação nas quartas de final. No formato com 48 seleções, o México também perdeu nas oitavas de final, mas precisou de um jogo a mais (a vitória sobre o Equador na fase de 32 avos de final) para chegar lá.

Progresso? Sim. Uma conquista? Ainda não. O México ainda não conseguiu chegar às quartas de final da Copa do Mundo. Esse é o objetivo agora. Não a sobrevivência. Não o respeito. Uma vaga nas quartas de final é o único resultado que representará um verdadeiro passo à frente para este programa.

O que acontece com Aguirre?

Javier Aguirre comandou o México em uma de suas campanhas mais produtivas em torneios nos últimos 40 anos. Ele tem 67 anos. Esta foi sua terceira passagem à frente da seleção. A decisão sobre sua permanência ou não para o próximo ciclo de eliminatórias precisa ser tomada em breve pela Federação Mexicana de Futebol.

Seu histórico nesse período (22 vitórias em 36 jogos, dois títulos da CONCACAF em 2025 (Liga das Nações e Copa Ouro) e uma participação nas oitavas de final da Copa do Mundo em casa) é sólido. Mas a federação tem um histórico de tomar essa decisão de forma emocional, em vez de estratégica. Eles precisam de um plano para o futuro, não de uma reação impulsiva.

O Caminho para a Copa do Mundo de 2030

O México tem mais talento nesta seleção do que teve nos últimos anos. Quiñones é um jogador de classe mundial. Jiménez provou que ainda pode contribuir no mais alto nível. Eric Lira é o pilar do meio-campo. Mora está chegando. Álvaro Fidalgo e Luis Romo deram mais opções ao time e marcaram muitos gols neste torneio.

A Copa do Mundo de 2030 será sediada na América do Sul. O México precisará se classificar pela CONCACAF e chegar com um elenco construído em torno desta geração. A janela está aberta. As peças estão aí. O que a federação fizer nos próximos doze meses – na contratação do técnico, na busca por um atacante, no desenvolvimento de Mora – determinará se 2026 foi o início de algo ou apenas o melhor momento de um programa que continua a falhar nesta mesma fase.

O teto está mais alto agora do que há quatro anos. Mas ainda não foi rompido.

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