Fase de grupos da Copa do Mundo: favoritos que podem ser eliminados precocemente

Fase de grupos da Copa do Mundo: favoritos que podem ser eliminados precocemente

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Última atualização em 9 de junho de 2026 às 11h49 por Erwin Noguera

A fase de grupos da Copa do Mundo FIFA de 2026 promete ser uma das mais imprevisíveis da história do torneio. Pela primeira vez, a competição contará com 48 equipes, divididas em 12 grupos de quatro, e um novo formato de classificação para as oitavas de final, que classifica os dois melhores colocados de cada grupo, além dos oito melhores terceiros colocados, para a fase de 32 avos de final.

O torneio decorre de 11 de junho a 19 de julho nos Estados Unidos, México e Canadá, com o México a dar início ao evento na Cidade do México a 11 de junho e os EUA e o Canadá a juntarem-se à competição logo a seguir.

Esse formato praticamente não deixa espaço para começos lentos. Uma partida ruim pode transformar um favorito em um caso de pânico muito rapidamente.

A tabela da fase de grupos também é importante porque os primeiros jogos não são fáceis. A Espanha estreia contra Cabo Verde em 15 de junho, a França contra o Senegal em 16 de junho, a Argentina contra a Argélia também em 16 de junho, a Inglaterra enfrenta a Croácia em 17 de junho, o Brasil encara o Marrocos em 13 de junho e a Holanda estreia contra o Japão em 14 de junho. Esses não são jogos de preparação. São o tipo de partida que pode expor um favorito antes mesmo do torneio começar de fato.

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Brasil: O favorito mais óbvio para apostar no risco inicial

O Brasil parece ser o favorito para sucumbir logo no início. O principal motivo não é o talento, mas sim o momento. Rodrygo já foi descartado após uma grave lesão no joelho, e Neymar permanece como dúvida por conta de um problema na panturrilha, mesmo tendo sido convocado novamente. Essa é uma combinação brutal para uma equipe que ainda depende da qualidade individual para superar defesas compactas. A estreia do Brasil contra o Marrocos também será um teste difícil, e o grupo não perdoa, com Escócia e Haiti também no Grupo C.

Carlo Ancelotti ainda está se adaptando ao cargo, o que adiciona mais uma camada de risco. A questão do Brasil não é se a equipe tem talento suficiente para competir. Ela tem. O problema é se o ataque conseguirá funcionar bem sem Rodrygo e, possivelmente, com um Neymar limitado. Em uma fase de grupos, isso importa mais do que se imagina. Uma estreia equilibrada pode mudar completamente o clima emocional de toda a campanha. O Brasil ainda pode avançar com tranquilidade, mas, entre os favoritos, parece ser o time com maior probabilidade de tropeçar logo no início.

Inglaterra: Talento, Pressão e uma Abertura Dolorosa

A Inglaterra é outra favorita que pode desmoronar logo no início se a primeira partida não correr bem. A estreia contra a Croácia, no dia 17 de junho, já é um teste sério, e o grupo também inclui Gana e Panamá, o que significa que há muito pouco tempo para se recuperar caso a equipe comece mal. Além disso, o zagueiro Djed Spence usará uma máscara protetora após fraturar a mandíbula, um lembrete de que a Inglaterra não chega em sua melhor forma física.

O maior problema para a Inglaterra é a pressão. Esta seleção ainda carrega o fardo de um longo jejum de títulos, e a fase de grupos da Copa do Mundo costuma punir as equipes que são esperadas para vencer com facilidade. A Inglaterra geralmente tem qualidade suficiente para se classificar, mas a margem de erro diminui rapidamente se o jogo de estreia for tenso ou se o time demonstrar insegurança com a posse de bola. Se a Croácia conseguir transformar a primeira partida em um jogo disputado, a Inglaterra pode se ver sob uma pressão muito maior do que a esperada.

França: O elenco mais profundo, mas não perfeito.

A França ainda parece ser uma das equipes mais fortes do torneio, mas a fase de grupos pode expor algumas fragilidades se a defesa não se consolidar rapidamente. Em seu amistoso recente, Michael Olise marcou três gols na vitória por 3 a 1 sobre a Irlanda do Norte, mas a França ainda sofreu um gol em contra-ataque, o que mostrou sua vulnerabilidade quando a organização defensiva falha. Isso é importante porque a França estreia contra o Senegal no dia 16 de junho, e o Grupo I também inclui Iraque e Noruega.

O ataque é excepcional, com Kylian Mbappé, Ousmane Dembélé, Désiré Doué e Olise dando à França um poder de fogo enorme. Mas a defesa não pareceu totalmente sólida nos últimos amistosos preparatórios, e esse é o tipo de problema que pode transformar um favorito em um caso perdido na fase de grupos. A França ainda deve avançar, mas é uma daquelas equipes em que um deslize inesperado pode tornar o grupo muito mais equilibrado do que o necessário.

Holanda: O golpe com lesão que pode ter consequências imediatas

A Holanda talvez seja a favorita europeia mais vulnerável fora do Brasil e da Inglaterra. Jurrien Timber está fora da Copa do Mundo devido a uma lesão na virilha, o que representa um grande golpe para a defesa da equipe de Ronald Koeman. Os holandeses estreiam contra o Japão no dia 14 de junho e também enfrentam Suécia e Tunísia no Grupo F. Não é um grupo fácil, e perder um zagueiro versátil como Timber torna a situação ainda mais perigosa.

A Holanda ainda tem qualidade, mas as lesões costumam ser mais relevantes na fase de grupos, pois afetam o equilíbrio da equipe, e não apenas o elenco. Se a linha defensiva estiver menos estável e a estreia se tornar um jogo taticamente difícil, a Holanda pode facilmente se ver em uma situação desconfortável, correndo atrás do placar. O primeiro jogo contra o Japão é exatamente contra o tipo de adversário que pode punir qualquer hesitação.

Espanha: a favorita mais controlada, mas a juventude pode ser uma faca de dois gumes.

A Espanha pode ser a favorita com menos probabilidade de desmoronar logo no início, mas ainda assim vale a pena ficar de olho. A vitória no último amistoso preparatório contra o Peru mostrou um ótimo entrosamento, com Mikel Oyarzabal abrindo o placar, Pedri controlando a partida e Yeremy Pino contribuindo para o terceiro gol. Ao mesmo tempo, o técnico Luis de la Fuente tem moderado as expectativas repetidamente, recusando-se a considerar a Espanha como a única favorita absoluta. A Espanha estreia contra Cabo Verde no dia 15 de junho e depois enfrenta Uruguai e Arábia Saudita no Grupo H.

Essa formação é boa, mas a juventude ainda pode gerar instabilidade. A Espanha parece afiada e organizada, mas se desperdiçar chances no início ou permitir que o Uruguai transforme o grupo em uma disputa física, a diferença pode diminuir rapidamente. A Espanha ainda é mais estável que o Brasil ou a Holanda, mas não é invencível.

Os anfitriões e a panela de pressão da fase de grupos

Os países anfitriões também enfrentam suas próprias pressões. A Cidade do México já suspendeu as aulas e transferiu os funcionários federais para o trabalho remoto em 11 de junho para reduzir o tráfego na abertura do torneio, enquanto o Estádio Azteca passou por grandes reformas e sediará a partida inaugural. No Canadá, centros de treinamento reconhecidos pela FIFA, como Port Alberni, estão ajudando as equipes a se adaptarem, enquanto os Estados Unidos têm o maior desafio logístico, pois sediarão a maioria das partidas e lidam com maiores preocupações em relação à segurança e viagens. Essas realidades extracampo podem afetar a rapidez com que as equipes se adaptam ao torneio.

Análise final

Se a pergunta é quais favoritos podem ruir cedo, o Brasil parece o mais vulnerável, seguido de perto pela Holanda. A Inglaterra só representa perigo devido à forte pressão e ao gol inicial, enquanto a França ainda tem qualidade suficiente para se manter na competição, mesmo que a defesa pareça instável. A Espanha aparenta ser a equipe mais controlada do grupo, e a continuidade da Argentina lhe confere uma base sólida, mesmo com a condição física de Messi sempre sendo uma preocupação. A fase de grupos não dará trégua a ninguém, e em uma Copa do Mundo com 48 seleções, uma semana ruim pode mudar completamente o chaveamento.

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